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2008-06-19 |
A TRILHA ACESA DO RECIFE
Guia turístico, histórico e culturaL
Autor: João Braga

Prefácio
por Flávio Chaves
“...Pois é dos sonhos dos homens/ que uma cidade se inventa...”. Com certeza, quando Carlos Pena Filho escreveu esses dois versos antológicos, em seu conhecido poema Guia Prático da Cidade do Recife, reflita sobre o fato de que o Recife nascera dentro do mar, graças à argamassa do sonho, que só se deixava limitar pela muralha de arrecifes, porque esta lhe era uma defesa natural. Mas refletia também, nas entrelinhas, que havia outro Recife, secreto, dormindo nas torres das igrejas, no modo dos homens, na arquitetura barroca da curvas das mulheres e em tantas outras formas não miscíveis à régua, mas sobretudo através dos sonhos dos homens.
Boa parte desse Recife foi redescoberto por homens de visão arguta como Joaquim Cardozo, João Cabral de Melo Neto, o próprio Carlos Pena Filho, Gilberto Freyre, Oliveira Lima, Mauro Mota, entre outros. Mas ainda há o que ser revelado. Foi pensando nisso que João Braga, após longo período de estudos, pesquisas, gastou-nos este TRILHAS DO RECIFE, na verdade um guia turístico, histórico e cultural, porém diferente do que se tem feito até então no gênero: mais didático e mais completo, revela alguns aspectos da cidade não conhecidos pelos recifenses, todos os pontos de lazer e cultura.
TRILHAS DO RECIFE é, sobretudo, uma fotografia da história arquitetônica da cidade. Não uma fotografia técnica, imaginada pelo olho humano, mas uma fotografia que capta detalhes que não percebemos, mas que, quando observados, se mostram vivos, pulsantes, reveladores de outra cidade que surge do Recife, como uma borboleta do casulo, secreta e mágica. São marcos que passam despercebidos como o vento aos nossos olhos, porém quando lemos o guia, contam-nos histórias; falam-nos de homens como Domingos Ferreira, Guilherme Aquino Fonseca, Cruz Cabugá e tantos outros cujas digitais estão marcadas em cada logradouro do Recife.
É sobre este aspecto do Recife que nos fala João Braga. Seu guia é uma série de reportagens colhidas em livros, periódicos, muitas em Jornais antigos, outras que registrou através de suas andanças investigativas pela cidade. Em cada uma delas, viu um Recife tingido de uma luz apenas bebida pelo espírito dos poetas, compositores, escritores e artistas, que são quem, verdadeiramente, vêem o mundo pousado em chamas, chagas e canções. Porém, a julgar por este trabalho, que tanto irá nos auxiliar alunos, professores, pesquisadores e turistas, podemos incluir João Braga nesse seleto grupo de pessoas que de olhos fechados vêem e sabem converter a simetria do sonho em paisagens vivas.
TRILHAS DO RECIFE mostra o lado avesso da cidade. Não o lado obscuro, visto por quem segue o Capibaribe e vê o quintal das casas, as palafitas, os bordados que a linha verde dos mangues insiste em fazer sobre o pano de trapo das águas. É um projeto de quem conhece a cidade, de quem aprendeu com os poetas e boêmios a decifrar o Recife no escuro, e por ele ama e morre.
Com o presente trabalho, João Braga traça o roteiro turístico-cultural do Recife em 25 “trilhas”. Cada uma delas mapeia a história da urbanização de um bairro e suas principais artérias por onde a sociedade passada. E, ao passar, não deixava apenas rastros, mas as marcas de uma história, as digitais de sonho construído com o decorrer dos séculos. Esses sonhos estão erguidos a partir de cada parede que nos dá pistas, através das linhas arquitetônicas, não só de determinados momentos e formas concebidas pelo espírito humano através da história, mas dos meandros da própria história, as correntes do pensamento humano.
O conjunto de todas essas trilhas representa em aspecto panorâmico da história do Recife. Uma cidade cuja história já foi contada por tantos aspectos, encontra aqui, nesse guia, mais meio de identificação, possivelmente não o último, mas um dos poucos que plenifica o espírito de conhecimento através de uma leitura que aproxima, ao mesmo tempo, o lirismo e o lazer, graças ao exaustivo trabalho de pesquisa do autor.
O Recife nasceu de uma colônia de pescadores que instalavam palhoças em uma pequena e estreita planície entre o Capibaribe e o mar num processo de aterro. Cresceu adubada pelo bagaço da cana que passou nos engenhos que foram moídos pelo tempo mas que também deram nomes a vários logradouros da cidade; são eles: Casa Forte, Monteiro, Torre, Apipucos, Engenho do Meio, Madalena entre outros. Vive a plenitude da transformação de uma época que começou com a chamada guerra aos mocambos deflagrada por Agamenon. Portanto, Trás traços de várias épocas, cultura de vários povos (o escravo, o índio, o português, o holandês, o mestiço) e eis porque o Recife é uma cidade contraditória e cheia de contrastes. Tão rica e tão pobre, tão feia e tão bela, um estado de espírito na pura acepção da palavra.
Com toda essa riqueza de detalhes, o Recife precisava ser retratado por quem compreendesse o universo da alma. É a isso que TRILHAS DO RECIFE se pretende. O manual é sobretudo um tratado modelado nos cânones da epopéia, que tem como legado a história, roteiro a cultura e objetivo o futuro. Nela, os mitos são homens que ousaram sonhar, por isso são imortalizados por seus valorosos feitos incontestes. Daí porque foi tão oportuna a publicação, na página 175, de um texto poema, de Paulo Fernando Craveiro, para ilustrar a vida do português filho de inglês, Henry Koster, que escolheu o Recife para morrer, mas que continua vivo, através das páginas de seu livro Viagem ao Nordeste:
O Recife procura
Seu silêncio
Na voz dos mortos
E outros cantam
Canções de ninar.
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Vencer é erguer pilares além do horizonte |
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2008-06-15 |
Por Flávio Chaves
Viver é uma arte difícil no eco da busca! Ouvem-se os lamentos dos fracos, dos que hibernam nos apegos enfadonhos do labirinto da vida. E não buscam alçar novos vôos, tampouco se importam com o crescimento individual, que traz o regozijo da alma e a satisfação interior. Não te preocupas não, olha para o alto.
Disse, certo dia, um velho marinheiro: na tempestade da vida só há uma coisa a fazer: colocar o navio em uma determinada posição e manter. Este é o segredo do sucesso. Ou seguir com o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar. E vestido de coragem desenfreada manter-se firme, constante. |
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Atualizado em ( 2008-06-17 )
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A liturgia das rosas que falam |
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2008-04-17 |
Flávio Chaves
Um dos gêneros mais apreciados pelo universo feminino, a crônica marcou época em nosso País. Poetas de primeira grandeza como Cecília Meireles também escreveram crônicas, atemporais, podemos dizer, porque o amor, sempre presente nas suas composições, é substância viva, errante e, como tal, apenas migra de um para outro coração, num processo de contínuas mudanças.
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Atualizado em ( 2008-05-09 )
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Audálio Alves – As múltiplas faces de um poeta |
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2008-04-04 |
Flávio Chaves
Sem prejuízo da essência de seu lavor literário, tampouco do conteúdo ou de sua forma, podemos afirmar que não existe “a poesia do poeta Audálio Alves”, mas as poesias, porque ele soube dominar, como ninguém, não apenas um, mas vários gêneros ao manipular as múltiplas faces de sua criação, sem obedecer, certamente, a um período de transição entre uma e outra fase. Porém, há um aspecto que ao atento observador jamais poderá passar despercebido - o intimismo acompanhou o poeta em todo o percurso graças a sua sensibilidade, uma espécie de raio-x capaz de captar, a cada imagem que surgia, a matéria-prima de sua composição. E foram sempre as impressões primeiras que tatuaram seu peito. O que nos salta à vista é que nesse poeta intimista e, ao mesmo tempo, telúrico e instigante, não existe hiato nos vários estágios de sua composição, seja ela impregnada de metáforas, e até mesmo de indagações, ou social. Das sementes que ele recolhia cuidava de plantar suas idéias, com carinho e zelo, fixando-as com firmeza sob o solo cáustico que lhe serviu de berço. É evidente que cada verso desse poeta pernambucano representou, para ele instante de vibração, facilmente descoberto na leitura.
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